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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A princesa, a bruxa e a Liberdade - 1. Maldição


Era uma vez, no reino distante de Córdoba, uma bela princesa. Sua delicadeza fazia suspirar cada pessoa que lançava olhares sobre aquela bela criança, que brincava de boneca pelos jardins do palácio real. Seu nome era Marie.
Contudo, seus pais sabiam que ela era vítima de uma maldição terrível, jogada por uma bruxa cruel.

Era o dia mais feliz do reino de Córdoba. Todos em festa comemoravam o nascimento de Marie. O rei havia decretado feriado, e havia dado um banquete a todos os nobres, enquanto o povo se alegrava na festa na praça principal da cidade, com bebidas, comidas, músicas e muitas danças. A noite estava estrelada e os risos altos, enquanto a música encantava dentro e fora do palácio, humanos, elfos, anões e criaturas mágicas.
E no quarto real dormiam mãe e filha. A rainha ainda se recompunha do parto difícil que tivera no dia anterior. O rei abriu a porta com cuidado para não despertar as duas que dormiam no leito real. Fechou a porta e se sentou ao lado da mulher na cama, e ficou observando-a dormir. Lembrou-se do dia do seu primeiro beijo, em que ela, em sono profundo, dormia sobre um encanto de uma bruxa malvada. Bela, Bela adormecida. Ainda o era, pelo menos naquele momento. E sua filha era a mais linda de todo o reino, com a beleza tão bem herdada de sua mãe.
De repente, sentiu um vento adentrar o quarto pela janela, que estava aberta, e um vulto preto se materializou em forma de uma mulher vestida de roupas negras perto do berço onde se encontrava a criança adormecida. Ele sabia quem era ela.
- Bruxa Brianna! O que faz aqui?! – levantou-se e desembainhou sua espada, preparada para lutar.
- Achava mesmo que iria deixar de visitá-lo nesse grande momento?
- Saia daqui. Você não é bem vinda.
- Como não? Sou a tia da criança. E eu darei o nome para que ela seja minha.
- Você não pode fazer isso! – seu grito aparentou o desespero sentido.
A rainha acordou e ao ver a bruxa Brianna no quarto, o susto, o medo e a raiva a tomou de modo avassalador.
- Brianna!
- Oi! Que prazer em revê-la. Estava conversando com seu marido e lhe contando as novidades. Serei eu que podei o nome na sua filhinha.
- Não!
Todos naquele quarto sabiam o que significava isso. A primeira pessoa que nomeasse uma criança, na presença de, no mínimo duas testemunhas e jogasse o Pó Roseado sobre sua cabeça, teria direito de lançar benção ou maldição que se perpetuaria por toda vida da criança.
Para os filhos de reis, essa cerimônia era feita ao 3º dia, em vista de todo o provo, e o pai era o provedor da benção para o filho. Era o 1º dia de vida do bebê.
A rainha tentou se levantar com pressa. O rei, vendo sua atitude, correu em direção ao berço, para pegar a sua filha e afastar a bruxa. Numa fração de segundos, Brianna soltou no ar o Pó Roseado, que caiu na pequena menina. A magia soltou raios que iluminavam todo o quarto e ofuscava a visão de todos ali. Eram perceptíveis ali os gritos desesperados de sua mãe e as palavras de magia da bruxa.
- O seu nome significa deus do Oculto. Ela me pertencerá aos 10 anos de idade e será minha para sempre!
O pai, andando sobre a luz intensa, conseguiu chegar ao berço, num impulso tentou pegar a criança. Quando a tomou nos braços, a luz cessou. A garotinha começou a chorar e a bruxa desapareceu. Era como se um flash muito rápido houvesse sido disparado e transformado todo o momento anterior num rápido sonho. Era ele, com a bebê no colo e a mulher assustada olhando toda a cena. E o vento frio saía da janela do quarto pela janela, de forma discreta.
Os guardas do reino forçaram a porta e entraram rapidamente. Encontraram aquela cena e a feição desconsertada do rei, com a criança chorando em seu colo.
- Está tudo bem, majestade?
Ele olhou rapidamente para a esposa e visivelmente abalado, balançou a menina no colo, fingindo tranqüilidade, e dizendo aos gaguejos:
- Está tudo bem. A menina... a menina chorou e ... minha mulher acordou sobressaltada de um sonho... de um sonho, não é, meu bem?
Ela olhou com espanto para o marido e disse sem pensar muita coisa.
- Sim, sim. Foi isso.
Os guardas se entreolharam e saíram sem indagar coisa alguma. Aquele seria um segredo mantido a sete chaves, até os dez anos de idade da princesa. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tempestade


As nuvens pesadas se movimentam enquanto lançam gotículas de água sobre tudo que está debaixo dela. Os raios e trovões se agitam no céu: o primeiro vem irradiando luz medonha e o segundo canta com uma voz grave uma canção de medo. Observo essa tempestade da janela fechada da minha casa.

Por tanto tempo me disseram que a tempestade era algo ruim, a ser temida. A chuva causa o resfriado e o guarda-chuva é imprescindível para nos guardar da fúria das águas. E quando chove é preciso encontrar um abrigo e quando o trovão canta devemos temer. Contudo, esses que me disseram tais coisas, não aprenderam que uma tempestade, nunca pode ser evitada.

Abri aquela porta e fui. Caminhei ao lugar descoberto. Joguei o guarda-chuva fora e queria sentir tudo, e o senti. Lá estava o vento massageando meu corpo, tocando em meu rosto e me levando consigo para dançar. E senti cada gota de chuva percorrendo a minha pele, me tocando. E bebi dessa água, que me purificava e molhava os meus cabelos, e com um sorriso no rosto, o agitei, espalhando água por todas as direções. Eu me senti limpa e deixava ali todos os meus medos, males e lembranças ruins. Pisei naquelas poças d'agua, uma por uma e afundei meu All Star ali e senti meus pés encharcando-se dentro do tênis. E eu também estava assim.

Abri bem os meus olhos e admirei o show de luzes que se faziam no céu, desenhando e riscando o negro ao som de uma sinfonia - não, um rock, quem sabe - que os trovões tocavam entre si.
Sentei-me no asfalto, molhada de chuva e observei o sol espantar pouco a pouco aquela nuvem que amedrontou todos. O sol surgiu e trouxe aquele lindo arco-íris que todos saíram para admirar. Mas mal sabem eles, que por medo do resfriado, perderam um show que valeria muito mais a pena. E esse show é reservado para aqueles que não tem medo de passar na tempestade.

Breve - "Conto de Humanos" - A princesa, a bruxa e a liberdade

Lembram-se de um post que fiz há um mês atrás, mais ou menos, chamado Carta de Libertação? Essa carta tornou-se o começo de um conto de minha autoria, que fiz nessas últimas semanas e postarei todos os dias aqui no Blog à partir de SEGUNDA-FEIRA!
Uma breve sinopse, para deixar um gostinho...

Um reino. Uma princesa presa na torre por uma bruxa. Uma maldição. Só um príncipe poderia salvá-la dessa terrível condenação. Parece que essa história todos já conhecem. Contudo, não se conta uma coisa: E os sentimentos humanos? Até onde vai o amor e as dúvidas? O status e sentimento? Até onde um homem pode enfrentar seus próprios medos para salvar uma princesa, e até quanto tempo uma princesa pode suportar a longa espera de seu príncipe encantado? E uma pessoa é totalmente boa ou totalmente má? Mas quando se trata de uma bruxa? 
Princesas também se cansam, príncipes também temem e bruxas também amam. As aparências enganam. Assim como os sentimentos e os Contos de Fadas que já leram até agora. 
Humanos não merecem Contos de Fadas. Criemos um conto só nosso.


Por isso, não perca, segunda-feira o primeiro Conto de Humanos - A Princesa, a Bruxa e a Liberdade.

Renasci



Hoje caminho com minhas próprias pernas. Não, eu não dependo de você. Aquele elo, que antes eu achava que fazia tão bem, me mantinha numa prisão, no qual hoje me libertei.
Me libertei para pensar com minha própria mente e a preguiça de ser quem eu sou, hoje já não se instala em meus ombros para me domar. E a cada dia que meus olhos se abrem, percebo que caem as escamas dos meus olhos e tudo que era turvo, se torna tão claro e posso dizer, que não preciso mais dos seus olhos para enxergar.
Não preciso que me proteja mais, pois seus braços pouco me valeram em todo esse tempo. Seu abraço não pode conter meu desejo de ser livre para me defender, de ti ou de qualquer outra ameaça que possa cruzar o meu caminho. A sensação de segurança só pode ser completa ao sabermos que temos a força em nós mesmos para lutarmos. Sim, hoje a tenho. Não graças a você.
E minhas palavras nunca mais serão de dependência, de submissão a idéias, planos ou muito menos sentimentos. Minhas palavras tem mais utilidade do que esse fim mesquinho e servirão como prova de que sou viva e como arma para fazerem outros também viverem. O nascer surge com gritos e choro, mas é sempre comemorado com alegria. Oi, hoje renasci para a vida. E morri para...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Carta de libertação



Deixo aqui em cima da cama essa carta dizendo que vou embora daqui. Não que ache que alguém a lerá, mas quero que, se caso alguém leia, perceba com todas essas letras que chegou tarde e que nada mais pode fazer por mim.
Costumava olhar todos os dias na janela, na esperança de te encontrar. Imaginava-o como um homem de coragem, com um cavalo branco, olhar firme. Você chegaria de repente, arrebentaria os portões, entraria na torre, mataria a bruxa que me aprisiona e me levaria daqui em seus braços. Como prêmio lhe daria um beijo e viveríamos felizes para sempre. Pelo boato, isso aconteceu em outros reinos e tinha certeza que aconteceria também comigo.
E o tempo passou. Vi vários príncipes diante dessa torre. Eles passavam reto como se não houvesse um desafio para enfrentarem ali. Outros tentavam falar com o guarda, ele não abria o portão, e logo desistiam. Ainda tinham os que queriam me ver trocando de roupa.
Descobri, então, depois de tantos que passaram, que ninguém iria me salvar. E hoje escrevo essa carta de manifesto: qual é o limite entre a princesa e a vilã? Quem sabe a sobrevivência...
Esses anos na torre me fizeram refletir que não existe , como todos pensam, a pessoa boa e a pessoa má. Há maldade na bondade da princesa e bondade na vilania da bruxa. E por isso, hoje, livre por meus próprios artifícios, digo que vocês, príncipes de merda, criaram a boa princesa mais astuta que uma bruxa. E mais sincera de todos do seu reino – porque vilão todos são em algum momento da vida, mas não há coragem de assumir. Até você que esperou tanto para me salvar, príncipe tardio. 

                                                                        Com desprezo,
                                                                                     Princesa do Reino Distante

Voltando com tudo!





2011 quero que seja um ano de revolução. E essa revolução tem que se espelhar em meu blog. Meus planos para essa nova temporada é um blog que venha acrescentar algo a mais na sua vida, de forma simples, concisa, irreverente e engraçada.
Aproveitem o novo template, não sou boa nisso, por isso comentem e digam o que pode fazer o visual ficar melhor. Fiz pensando abordar todos os pontos de vista que quero abordar da vida no blog - filmes, cotidiano, comunicação, humor, cultura, Deus... e tudo o que for assunto que surgir em pauta nesse ano, espere o meu ponto de vista sobre o assunto. Se gostar, divulgue.. se não gostar... normals.. eu também não gosto de tudo que roda aí pela net.
E beeijoos a todos os leitores!

Vamos começar 2011 com muita alegria, paz e benção de Deus!

sábado, 14 de agosto de 2010

Conto de fadas Pós-Moderno

Ele se aproxima de mim e sabe o que falar. Me diz que sou linda, mas não como os outros: ele sabe a hora de dizer e como. Sorri e se interessa por meus assuntos, sabe me olhar nos olhos e também sabe a hora de escorregar seus olhos mais para baixo. E me envolve, me nutre de esperanças. Ele diz que acredita no amor, por mais que já tenha sofrido muito. Faz planos para o futuro e dá um jeito de me fazer interessar nesses planos, pois não sei porque esses planos se parecem com os meus. Chama para sair e sabe como agradar os meus olhos e todo o resto da minha percepção. O seu estilo me fascina e me orgulha, mesmo não sendo eu dona desse bom gosto. Bonito? Digamos, charmoso. Sim, ele sabe o que me dizer, como dizer e sabe como tocar e me toca.

Seu beijo me encanta e sabe exatamente como me fazer pensar em todas as coisas ao mesmo tempo. Me faz fazer o que nunca faria e como conseguir de mim a insanidade. Demoro para recobrar minha consciencia e tento não fazê-lo tão rápido para arrepender-me aos poucos. Por que? Vai ver ele é meu príncipe encantado que chegou para me salvar. Me salvar de que? Não sei.

Esqueci-me: não há mais do que ser salva. Tenho em minhas mãos agora a espada e o escudo, isso graças as outras princesas de meu reino cujos príncipes não vieram salvá-las. Viviam escravas em seus castelos por vilões tiranos malvados que as escravizavam e tiravam suas armas: a independencia e a voz. Agora, graças a essas Cinderela, temos nossos escudos e espadas e nos salvamos todos os dias de nossos próprios monstros. Mas agora meu sonho se realizou: tenho um príncipe que poderá lutar por mim.

Para isso ele pede a minha espada e meu escudo e eu os entrego prontamente. Para me proteger? Claro que não. Mas eu achava que era. Lá vai ele se exibindo com as minhas armas para impressionar as outras princesas, bruxas e o que passar na frente. Usa o mesmo discurso que me galantiou e isso me ataca e me fere.Me fere, porque eu acreditei. E descobri que esse era o vilão da minha história. Ao descobrir isso, vejo que o melhor é tomar minha espada e meu escudo de volta e sair sozinha de mais um vilão da vida.

E ele aparece. E eu nem o percebo. Como o perceber, ele está tão longe. Como o perceber, ele mal fala, não é tão bonito e nem tem um estilo glamuroso. É todo certinho e educado, e nem o noto, pois como olhar, se ele não chama a minha atenção?

Num momento estranho de coragem, resolve saltar aos meus olhos e fazer com que eu o note. E ainda com espadas e escudos, mesmo assim eu me deixo levar. Pela primeira vez vejo inocência num olhar, e verdadeiro carinho. Sinto o gosto do respeito vindo dele, e descubro finalmente! Sim, sim! Assim são os príncipes! Não me pede a espada e o escudo, pois nem sabe manejar uma arma. Não me diz galanteios, pois tem vergonha de os dizer e eu o achar piegas. Seu beijo é carregado de magia, a magia do respeito, algo novo, como eu nunca vi. E me faz sonhar, sonhar de desvendá-lo...

Mas os contos de fadas das princesas deste século são diferentes. Nesses contos voltamos para os nossos vilões e sofremos por eles e continuamos sofrendo pelos mesmos ou outros a vida inteira. Enquanto isso, príncipes andam desarmados e perdidos por aí, sem coragem de nos tirar dessa masmorra. E eu fujo a essa regra?

Meu príncipe, você ainda acredita nos "Felizes para sempre"?